desenvolvimento rural

Aproveitamentos hidroagrícolas

Pereiras

Foto Pereiras
Apresentação

O Aproveitamento Hidroagrícola de Pereiras situa-se na freguesia de Pinheiro de Lafões, concelho de Oliveira de Frades e distrito de Viseu.

Este Aproveitamento teve como objectivo a rega de cerca de 43 ha de terrenos agrícolas localizados em Pereiras, dos quais apenas uma pequena parte era já abrangida por infraestruturas de rega, degradadas e com escassez de água durante o período do Verão.

A Câmara Municipal de Oliveira de Frades promoveu a elaboração de um projecto de uma estrutura para armazenamento da água necessária à rega, aproveitando para isso uma pequena bacia hidrográfica e um local que apresenta uma boa relação entre a dimensão da barragem construída e a capacidade de armazenamento da albufeira. Mais tarde veio a ser complementado com o projecto de uma rede de rega elaborado pelo então IEADR.

Caracterização edafo-climática

Clima

A insolação média anual é de cerca de 2550 horas e a radiação global média anual varia entre 145 e 150 Kcal/cm2.
O valor médio da temperatura diária é de cerca de 13ºC.
O número médio de dias com temperaturas inferiores a 0ºC é de 6 a 11 dias por mês e verifica-se nos meses de Dezembro, Janeiro e Fevereiro. Fora deste período, o número médio de dias com temperaturas mínimas negativas é praticamente nulo.

O número médio de dias com temperatura máxima do ar superior a 25ºC é muito pequeno a nulo de Novembro a Abril e atinge os maiores valores de Junho a Setembro, com um valor médio superior a 15 dias.

As amplitudes térmicas anuais, na zona do aproveitamento, são acentuadas e da ordem dos 14ºC.
O vento tem direcção predominante dos quadrantes Este e Oeste. O mês de Abril é o que apresenta mais dias com velocidades médias iguais ou superiores a 36 Km/h, mas a média mensal varia entre 4 e 6 Km/h.

As geadas apresentam alguma incidência, registando-se em média 51 dias com geadas repartidas por 6 meses, geralmente de Novembro a Abril.

A ocorrência de granizo, saraiva e neve não têm significado na zona do perímetro.
A precipitação anual média sobre a zona do aproveitamento é da ordem dos 1112 mm, verificando-se alguma irregularidade na distribuição ao longo do ano, sendo em Julho que ocorrem os valores mais baixos e os mais elevados em Dezembro.

Solos e aptidão ao regadio

A área abrangida pelo projecto já era parcialmente regada, por métodos tradicionais, pelo que parte dos terrenos já estavam topograficamente adaptados à rega por gravidade. A distribuição da água faz-se em baixa pressão, aproveitando parte da carga natural existente, resultante da diferença de cotas entre o plano de água da barragem e os terrenos a regar.

A maior parte da área abrangida pela rede de rega corresponde a solos com capacidade de uso da classe Bs, ou seja, com limitações moderadas, riscos de erosão no máximo moderados e susceptíveis de utilização agrícola moderadamente intensiva. Com menos representatividade, aparecem solos da classe Cs, susceptíveis de utilização agrícola pouco intensiva e com limitações acentuadas e, marginalmente, solos das classes Ee e Es, sem aptidão agrícola. Duma forma geral, os solos do perímetro apresentam limitações ao nível radicular.

Infra-estruturas colectivas

O conjunto de infraestruturas que integram o aproveitamento é formado essencialmente, como atrás dissemos, por uma barragem e por uma rede de rega. A obra contemplou também a melhoria das condições de drenagem, obtida através da limpeza das principais linhas de drenagem natural.

A barragem construída na Ribeira de Pereiras, tem 15 m de altura máxima acima da fundação e 243 m de desenvolvimento do coroamento. É do tipo estrutural de aterro zonado, com núcleo de material argiloso e maciços estabilizadores constituídos por saibros graníticos. Armazena 120.000 m3, volume de água que permite satisfazer as necessidades hídricas dos sistemas culturais previstos, em cerca de 80% dos anos.

A rede de rega é constituída por condutas enterradas de PVC, com um desenvolvimento total de 3.904 m. Foram instaladas 25 tomadas de água, para baixa pressão, equipadas com limitador de caudal. Sempre que possível, foram localizadas nos pontos de maior cota, de forma a dominarem graviticamente toda a área servida (em média 1,6 ha), junto a caminhos, para serem mais facilmente acessíveis, e nos limites das propriedades, para facilitar o acesso a todos os utilizadores.

Limitações e Potencialidades

A área total do perímetro de rega é de 43 ha, sendo a área útil de 40,9 ha e a área regável em período de ponta de 32,8 ha.

Os métodos de rega continuam a ser por superfície, pois a opção por métodos sob pressão implicaria a construção de uma estação de bombagem, com os consequentes encargos energéticos, dificilmente compensáveis. Acrescem outras limitações de ordem física, como a reduzida dimensão da maioria das parcelas e a sua compartimentação por muros ou linhas de videiras.

A rede de rega assim como as tomadas foram assim dimensionadas para a utilização da rega por superfície, no entanto, a carga natural existente nas tomadas permite o recurso a métodos expeditos de rega, como sejam as mangas plásticas perfuradas, e, nas zonas situadas a cotas mais baixas, é possível a utilização da rega por gota-a-gota ou mini aspersão.

A exploração das infraestruturas de rega possibilita um serviço de distribuição de água, em baixa pressão, sem custos de bombagem, mas com algumas restrições no grau de liberdade de utilização, funcionando por rotação.

Gestão e exploração

A Junta de Agricultores de Pereiras é a entidade responsável pela gestão e exploração do aproveitamento. Para fazer face a algumas das despesas instituiu um sistema de quotas, conforme prevê o seu Regulamento Interno, em função da área regada, uma vez que não existem contadores volumétricos ao nível dos hidrantes. A Junta de Agricultores tem garantido a conservação e o funcionamento da rede de rega, em colaboração com a Câmara Municipal que também tem feito limpezas parciais dos paramentos da barragem. Contudo, a barragem precisa de um conjunto de intervenções, para se adequar às exigências do Regulamento de Segurança de Barragens nomeadamente as seguintes:

  • Demolição do actual descarregador de superfície e construção de um novo descarregador com capacidade de vazão equivalente à de uma cheia com período de retorno de 1000 anos.
  • Instalação de um sistema de observação para monitorização dos deslocamentos verticais e horizontais, dos níveis hidrostáticos na fundação e no aterro, dos caudais percolados pela fundação da barragem e da precipitação e nível de água na albufeira.
  • Implementação do Plano de Emergência e do Sistema de Aviso e Alerta, que funcionará em caso de acidente ou de cheias extraordinárias.

À excepção desta última as restantes medidas correctivas já foram aprovadas e vão ser construídas até 2013, com financiamento do Estado Português e da CE, através do PRODER.

Foto Pereiras

1. Localização

DRAP Centro
Localização:

Distrito: Viseu
Concelho: Oliveira de Frades
Freguesia: Pinheiro de Lafões

Região Hidrográfica: RH4
Bacia hidrográfica: Rio Vouga
Sub-bacia: Rio Águeda
Linha de água: Ribeira de Pereiras
Carta Militar 1:25 000 n.ºs: 176
Coordenadas Hayford-Gauss militares (metros): M = 191276,13 ; P = 415805,69

2. Dados Gerais

Objectivo: Agricultura
Ano de conclusão: 1997
Área total do regadio: 43 ha
Área útil: 41 ha
N.º de beneficiários previstos: 36
N.º de beneficiários actuais:
Adesão ao regadio: 75%
Ocupação cultural: Milho forragem, pomar e milho grão
Origem da água: superficial
Fornecimento de água às explorações: baixa pressão e gravidade
Gestão: Junta de Agricultores de Pereiras
Sistema tarifário: Quotas, em função da área regada.

3. Infra-estruturas existentes

Barragem de Pereiras

Altura máx. acima do leito: 15 m
Desenvolvimento do coroamento: 243 m
Capacidade útil da albufeira: 0,120 hm3

Rede de Rega: 3.904 m

4. Estudos e Obras a executar

Demolição e reconstrução do Descarregador de Cheias e obras de implementação do Sistema de Observação e do Sistema de Aviso e Alerta.

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