desenvolvimento rural

Aproveitamentos hidroagrícolas

Várzea de Calde

Foto Várzea de Calde
Apresentação

O Aproveitamento Hidroagrícola da Várzea de Calde situa-se na freguesia de Calde, concelho e distrito de Viseu.

A área abrangida pelo perímetro é de 116 ha, sendo a "área útil" de 107 ha. Tendo em conta a distribuição espacial das áreas a beneficiar e a geomorfologia da zona, dividiu-se o perímetro em 4 blocos de rega.

O bloco A possui uma área potencial de 16,1 ha e uma "área útil" de 12,7 ha, desenvolvendo-se imediatamente a jusante da barragem na ribeira da Várzea. O bloco B compreende os restantes prédios da bacia desta linha de água e possui uma área potencial de 73,0 ha,com uma "área útil" de 58,7 ha. Os blocos C e D distribuem-se ao longo das margens da segunda linha de água, situada a oeste da Várzea. O primeiro situa-se a cotas mais elevadas e possui uma área potencial de 33,5 ha, sendo a "área útil" de 25,2 ha, e o segundo possui uma área potencial de 10,4 ha, sendo a "área útil" de 10,1 ha.

O conjunto de infraestruturas que integram o aproveitamento hidroagrícola compreende uma barragem e respectivas redes de rega, drenagem e viária.

Caracterização edafo-climática

Clima

A insolação média anual é de cerca de 2550 horas e a radiação global média anual varia entre 145 e 150 Kcal/cm2.

O valor médio da temperatura diária é de cerca de 13ºC.

O número médio de dias com temperaturas inferiores a 0ºC é de 6 a 11 dias por mês e verifica-se nos meses de Dezembro, Janeiro e Fevereiro. Fora deste período, o número médio de dias com temperaturas mínimas negativas é praticamente nulo.

O número médio de dias com temperatura máxima do ar superior a 25ºC é muito pequeno a nulo de Novembro a Abril e atinge os maiores valores de Junho a Setembro, com um valor médio superior a 15 dias.

As amplitudes térmicas anuais, na zona do aproveitamento, são acentuadas e da ordem dos 14ºC.

As geadas apresentam alguma incidência, registando-se em média 51 dias com geadas repartidas por 6 meses, geralmente de Novembro a Abril.

A ocorrência de granizo, saraiva e neve não têm significado na zona do perímetro.

A precipitação anual média sobre a zona do aproveitamento é da ordem dos 1220 mm, verificando-se alguma irregularidade na distribuição ao longo do ano.

Assim, pode concluir-se que para o potencial uso agrícola do perímetro os parâmetros climáticos são favoráveis quanto ao regime térmico e pluviométrico, no que diz respeito à pluviosidade total, mas condicionante, quanto à sua distribuição anual. O risco moderado de ocorrência de geadas é medianamente condicionante, enquanto que o risco baixo de ocorrência de granizo e muito baixo de ocorrência de outros meteoros é, respectivamente, medianamente favorável e favorável.

Solos e aptidão ao regadio

O perímetro de rega é constituído por 4 blocos: os blocos A e B em ambas as margens da ribeira da Várzea; e os blocos C e D igualmente nas margens de uma segunda linha de água, também afluente do rio Vouga, um pouco a jusante da confluência da ribeira da Várzea. A origem dos solos é predominantemente aluvionar, com unidades agrológicas com texturas variando de medianas a grosseiras, declive predominantemente nas classes inferior a 2% e entre 2 a 5%. Os terrenos mais próximos da povoação estão armados em socalcos que se estendem praticamente até à ribeira, sendo os de maiores dimensões no vale central mais próximo do rio Vouga. O risco de erosão dos solos é nulo ou ligeiro, graças à progressiva adaptação dos terrenos ao regadio. A avaliação global do potencial uso agrícola é de grau elevado em 51,8% da área total, médio em 46,4% da área total e baixo em apenas 1,8% da área do perímetro.

Infraestruturas colectivas

O conjunto de infraestruturas que integram o aproveitamento é formado essencialmente, como atrás dissemos, por uma barragem e por redes de rega, de drenagem e viária.

A barragem construída na Ribeira da Várzea, cerca de 2,5 Km a montante da confluência desta ribeira com o rio Vouga, armazena os volumes de água necessários à satisfação das necessidades hídricas dos sistemas culturais previstos e garante ainda o abastecimento público à população da freguesia de Calde.

A rede de rega é constituída por condutas enterradas, com um desenvolvimento total de cerca de 15 Km, com uma rede primária a partir da qual derivam 11 ramais secundários. As tomadas de água, localizam-se nos pontos mais altos da respectiva área dominada, junto das levadas em terra, quando existem, funcionando estas como uma rede de aproximação à parcela. Estão instalados 91 hidrantes, dispersos pelos 4 blocos, equipados com bocas de rega de 5 l/s e reguladores de pressão para 3 Kg/cm2. As caixas de dissipação de energia à saída das bocas de rega, permitem optar entre a rega por gravidade e a rega em baixa pressão.

As bocas de rega permitem adaptação simultânea à rega por aspersão e rega por gravidade.

A rede de drenagem é constituída unicamente pelas linhas de água e valas de enxugo principais, que foram limpas e regularizadas. Foram também construídos 2 aquedutos na Ribeira da Várzea.

Foi ainda beneficiado/restabelecido um caminho de acesso à barragem e órgãos hidráulicos, a partir da aldeia, com pavimento betuminoso, para além de um ramal de acesso à albufeira rede de rega.

Limitações e Potencialidades

O perímetro apresenta algumas especificidades e limitações que podem ter influência no uso técnico e económico dos solos com destaque para:

  • a reduzida dimensão física e económica das explorações agrícolas;
  • a estrutura predial actual e perspectiva.

A área beneficiada está repartida por 417 proprietários e 1817 prédios. O número médio de prédios por proprietário é de 4,4, sendo a área média, por proprietário, de 2554 m2 e, por prédio, 584 m2. A mobilidade e concentração parcelar apresenta manchas físicas de dificuldade provável diferenciadas: difícil, nos terraços superiores do bloco B, junto à povoação, facilitada, na restante área do bloco B, e muito facilitada nos blocos A, C e D.

Com esta estrutura fundiária, e apesar da densidade razoável da rede viária, persistem 786 prédios encravados.

A análise dos recursos naturais evidencia a existência de condições naturais fortemente favoráveis para a agricultura. O solo é um recurso importante, qualitativa e quantitativamente que importa conservar; o clima comporta algumas condicionantes (distribuição mensal da pluviosidade) que são em grande parte supridas pelas disponibilidades de água para regadio.

A exploração das infraestruturas de rega possibilita um serviço de distribuição de água a pedido, em baixa pressão, sem custos de bombagem.

Neste contexto, visando tirar o máximo partido dos recursos existentes (solos e água) numa óptica de modernização em equilíbrio com as características estruturais do perímetro, o uso agrícola deverá orientar-se segundo 3 eixos de opções produtivas:

Eixo 1 - Horticultura orientada no sentido do autoconsumo;

Eixo 2 - Arvenses e pequenos ruminantes, orientado no sentido de produtos vegetais e animais de qualidade, com valor comercial;

Eixo 3 - Fruteiras com objectivos mistos (autoconsumo e mercado), com carga de diversidade produtiva e complementaridade de rendimentos.

Gestão e exploração

A Junta de Agricultores do Regadio de Várzea de Calde é a entidade responsável pela gestão e exploração do aproveitamento. De acordo com os estatutos, a Junta de Agricultores instituiu um sistema de quotas em função do orçamento da obra. Pelo serviço disponibilizado, todos os beneficiários pagam um montante fixo, quase simbólico, dadas as características das explorações agrícolas. Os regantes pagam a água consumida, de forma indirecta, em função da área regada, uma vez que não existem contadores de caudal. Os não beneficiários pagam uma taxa agravada e os Serviços Municipalizados de Água, Saneamento e Piscinas de Viseu (SMAS) pagam um valor estabelecido no contrato, por unidade de volume. Os montantes são aprovados anualmente em Assembleia Geral Ordinária e na campanha de 2009 vigoraram os seguintes preços:

Montantes campanha 2009
  Valor Escalões
Quota anual 1,00 €  
Custo base da água para  beneficiários 0,003 €/m2  x área total áreas até 2500 m2
custo adicional 1 custo base + 50% áreas entre 2500 m2 e 5000 m2
custo adicional 2 custo base + 25% áreas superiores a 5000 m2
Custo da água fora do perímetro 0,010 €/m2  
Custo da água para os SMAS 0,002 €/m3  

A DRAPC assegura o controle da segurança da barragem, nos termos do Plano de Observação em vigor.

Varzea do Calde

1. Localização

DRAP Centro
Localização:

Distrito: Viseu
Concelho: Viseu
Freguesia: Calde

Região Hidrográfica: RH4
Bacia hidrográfica: Rio Vouga
Sub-bacia: Ribeira da Várzea
Linha de água: Ribeira de Calde
Carta Militar 1:25 000 n.ºs: 167

2. Dados Gerais

Objectivo: Agricultura, abastecimento urbano e lazer
Ano de conclusão: 2000
Área total do regadio: 116 ha
Área útil: 107 ha
N.º de beneficiários previstos: 417
N.º de beneficiários actuais: 135
Adesão ao regadio: 30%
Ocupação cultural: forragens, milho, batata, hortícolas, linho
Origem da água: superficial
Fornecimento de água às explorações: baixa pressão e gravidade
Gestão: Junta de Agricultores do regadio da Várzea de Calde
Sistema tarifário: componente fixa (quota) e componente variável (por área regada)

3. Infra-estruturas existentes

Barragem da Várzea de Calde

Altura máx. acima do leito: 33,5 m
Desenvolvimento do coroamento: 131 m
Capacidade útil da albufeira: 0,585 hm3

Rede de Rega: 14.679 m
Rede de Drenagem: 6.073 m
Rede Viária: 2.600 m

4. Estudos e Obras a executar

Obras de implementação do Sistema de Aviso e Alerta

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