desenvolvimento rural

Aproveitamentos hidroagrícolas

Cerejo

Apresentação

O aproveitamento hidroagrícola de Cerejo/Vila Franca das Naves, domina uma área total de 448,8 hectares, desenvolve-se ao longo das margens das ribeiras de Massueime, Cerejo e outras de menor importância, ocupando terrenos pertencentes às freguesias de Bouça Cova e Cerejo do concelho de Pinhel e as de Vila Franca das Naves e Moimentinha no concelho de Trancoso. Com a construção deste empreendimento, do qual fazem parte a barragem e respectivos órgãos anexos, um sistema elevatório e um sistema de rega, pretende-se distribuir água em pressão a toda a área beneficiada pelo regadio.

Para além da finalidade referida, e na sequência de um pedido formulado pelo Município de Pinhel, foi autorizada e está a decorrer, a captação de água para abastecimento público às povoações de Alverca da Beira e Bouça Cova.

A albufeira e a barragem construídas na ribeira do Cerejo, localizam-se na freguesia de Bouça Cova, junto à povoação do mesmo nome. A rede de rega e todos os restantes elementos construídos, distribuem-se pelas freguesias de Bouça Cova e Cerejo do concelho de Pinhel e as de Vila Franca das Naves e Moimentinha no concelho de Trancoso, distrito da Guarda.

O curso de água principal, da bacia corre de Sul para Norte, constitui um dos afluentes da margem esquerda da ribeira de Massueime que por sua vez é afluente do rio Côa, cuja bacia hidrográfica se insere na bacia hidrográfica do Rio Douro.

As águas armazenadas na albufeira e utilizadas na rega são unicamente provenientes das afluências próprias da respectiva bacia hidrográfica.

A construção do Aproveitamento Hidroagrícola de Cerejo/Vila Franca das Naves foi da responsabilidade da ex-Direcção Regional de Agricultura da Beira Interior, actualmente integrada na Direcção Regional de Agricultura e Pescas do Centro.

Caracterização edafo-climática

Solos

Os solos incluídos no perímetro, são na sua maior parte solos de textura ligeira a mediana, nomeadamente, franco-arenosos, arenosos-francos e francos e, apresentam uma estrutura fraca a inexistente. De referir que o lençol freático pode subir temporariamente a menos de 150 cm de profundidade, sobretudo no fundo dos vales.

Clima

Trata-se de uma região de clima mesotérmico com evapotranspiração potencial anual média de 1013 mm, com défice de água moderado no Verão, sendo este pouco quente e extenso. Como acontece em todo o país, na região existe um desfasamento entre o regime térmico e o regime pluviométrico, verificando-se alguma irregularidade na distribuição inter-mensal da temperatura. Os meses mais quentes, Julho e Agosto, são os que apresentam menores precipitações. A precipitação média anual da região é de cerca de 1150 mm, decorrendo o período chuvoso, em ano médio, entre Outubro e Abril, com uma ocorrência de cerca de 80% da precipitação total anual.

A variação de temperatura média do ar ao longo dos meses é relativamente alta devido essencialmente ao facto de se tratar de uma zona interior. Verifica-se um máximo em Julho e Agosto e um mínimo em Janeiro e Dezembro. A amplitude da variação média anual da temperatura do ar é de 14,6º C.

Como acontece em todo o país, na região existe um desfasamento entre o regime térmico e o regime pluviométrico, isto é, os meses mais quentes, Julho e Agosto, são os que apresentam menores precipitações. Verificam-se menores quantitativos de precipitação no auge da estação seca, no Verão, e ocorrência de um máximo de precipitação no Inverno, coincidente com os meses de menores temperaturas.

Os valores máximos da humidade relativa do ar ocorrem durante a madrugada e são menores durante a tarde. A variação anual da humidade relativa é elevada traduzindo a continentalidade da região.

Na região do aproveitamento verificam-se em média 50 dias de geada por ano, mais precisamente entre os meses de Outubro e Maio, com especial incidência nos meses de Novembro a Abril.

A nebulosidade na região decresce dos meses de Inverno, para os meses de Verão.

Os meses de vento mais forte são os de Novembro a Março com velocidades médias da ordem dos 19 km/h. No Verão é um pouco mais ligeiro mas não baixa muito dos 14 km/h.

Considerando a evaporação como o processo de perda de vapor de água para a atmosfera, a partir de superfícies aquáticas, verificamos que os valores mais elevados ocorrem, em média nos meses de Verão, Julho (225,8 mm) e Agosto (235,9 mm).

Na zona do aproveitamento, principalmente nas zonas de melhores solos, verifica-se que a estrutura fundiária é constituída por explorações de pequena dimensão e muito parceladas. Cerca de 95 % das explorações têm menos de 15 ha, variando o número de parcelas de cada uma, entre 2 e 12, (existem cerca de 1200 prédios).

Na área agora beneficiada já se pratica alguma agricultura de regadio, com rega de gravidade (sulcos e caldeiras) e localizada (gota a gota, anti-geada), a partir de captações de água particulares (poços). De acordo com as características anteriormente referidas, consideramos que a utilização futura do solo na área do aproveitamento, deveria incidir, principalmente, em culturas arvenses ou hortícolas e prados permanentes, pomares de macieiras, e vinhas.

Infra-estruturas colectivas

Fazem parte do aproveitamento, a albufeira e a barragem construídas na ribeira do Cerejo, e as redes de rega, viária e de drenagem.

A barragem tem um perfil de terra homogéneo, com materiais seleccionados na zona central. É constituída por um corpo principal com um desenvolvimento no coroamento de 323 m, e uma portela que se estende pela encosta esquerda do vale, de pequena altura e 266 m de desenvolvimento.

O sistema elevatório é constituído por grupos electrobomba e filtros, conduta elevatória e reservatório. Os edifícios, da estação elevatória e dos filtros, estão implantados próximo da estrutura terminal do circuito da tomada de água da barragem, na margem direita da ribeira de Cerejo. A ligação desta central ao reservatório, implantado na encosta da margem direita, efectua-se por uma conduta enterrada com cerca de 300 m de comprimento.

A área inundada ao nível de pleno armazenamento (NPA) é cerca de 68 ha. A esta cota, a capacidade útil da albufeira estima-se em cerca de 4,680 x 106 m3, correspondente a cerca de 173 % das necessidades de água em ano médio e a cerca de 138 % das afluências igualmente em ano médio.

A bacia hidrográfica, na secção da barragem, tem cerca de 14,5 km2.

As principais características dos órgãos de segurança e exploração da barragem são os seguintes:

  • descarregador de cheias: em betão, na margem esquerda, com soleira espessa (WES), em posição frontal, com desenvolvimento em bico de pato; canal de descarga rectangular e convergente, terminando numa estrutura de dissipação de energia do tipo salto de esqui;
  • torre de tomada de água: com secção circular em betão, do tipo selectivo, com três níveis de captação, grelhas e válvulas murais accionáveis manualmente ao nível superior da torre; acesso através de um passadiço com origem no coroamento da barragem, apoiado em pilares intermédios e desenvolvendo-se em arco;
  • conduta de descarga de fundo e tomada de água: fundada sob o aterro da barragem, tem início na base da torre, terminando na extremidade, com uma válvula de jacto oco; na derivação para o sistema elevatório da rede de rega, está montada uma válvula de borboleta; esta estrutura contém ainda um circuito hidráulico destinado à descarga do caudal ecológico.

O edifício da estação elevatória, no pé de barragem, é formado por três módulos principais: sala de grupos, sala de quadros, e posto de transformação.

A estação é equipada com dois grupos electrobomba de eixo horizontal e uma unidade auxiliar de eixo vertical. As unidades principais têm capacidade de debitar um caudal máximo de 600 l/s.

A jusante da estação elevatória existe outro edifício onde está instalada a estação de filtragem com quatro unidades de funcionamento em pressão.

Entre a estação de filtragem e a rede de rega está intercalado um reservatório para comando do funcionamento do sistema. A ligação entre o colector geral de compressão e o reservatório é feito em conduta enterrada em FFD, com diâmetro de 500 e 700 mm e um desenvolvimento de cerca de 300 m.

O reservatório está implantado na encosta da margem direita, é em betão armado, tem uma geometria cilíndrica com diâmetro interno de 10 m e altura total de 4,20 m. A sua capacidade útil é de 243 m3.

O acesso à barragem, à estação elevatória e ao reservatório faz-se a partir da povoação de Bouça Cova.

O perímetro de rega está dimensionado para uma distribuição de água a pedido e em pressão, a partir de um sistema elevatório comandado por reservatório elevado.

A rede de rega tem aproximadamente 44 km de condutas, dos quais cerca de 4,7 km em betão pré-esforçado com alma de aço, DN 700 e DN 600, 21,4 km em PVC rígido, DN 500 a DN 90 e, 17,9 km de rede de aproximação à parcela em PEAD, DN 90 e DN 75.

A rede viária já existente na área do aproveitamento era bastante razoável, tendo sido melhorados os caminhos agrícolas existentes. Estabelecem ligações entre eixos viários mais importantes e permitem o acesso às zonas interiores do perímetro.

Os novos caminhos construídos destinam-se a estabelecer o acesso à barragem e ao reservatório, à estação elevatória, e à margem esquerda da albufeira.

Para garantir a drenagem de toda a área do aproveitamento e conforme previsto no projecto, procedeu-se à desmatação, limpeza, corte de vegetação arbustiva do leito, taludes e margens das linhas de água.

Gestão e exploração

A DRAPC e a Junta de Agricultores do Cerejo são as entidades responsáveis pela gestão e exploração do aproveitamento.

1. Localização

DRAP Centro
Distrito: Guarda
Concelho: Pinhel
Freguesia: Bouça Cova e Cerejo
Concelho: Trancoso
Freguesia: Vila Franca das Naves e Moimentinha
Região Hidrográfica: RH 3
Bacia Hidrográfica: Douro
Sub-bacia: Rio Côa
Linha de Água: Ribeira de Cerejo (afluente da ribeira de Massueime)
Carta Militar: 170 e181
Latitude: 40º 41’ 58,52’’ N
Longitude: 7º 14’ 44,68’’ O

2. Dados Gerais

Promotor: Direcção Regional de Agricultura da Beira Interior
Projectista: PROSISTEMAS – Consultores de Engenharia, S.A.
Ano de Projecto: 1998
Objectivo/Uso actual: Rega e Abastecimento Público
Barragem:

  • Construtor: Consórcio TRAGSA/TRAPSA/CHUPAS & MORRÃO
  • Ano de conclusão: 2002 (Recepção Provisória a 30/04/2002)
  • Sistema Elevatório, Rede de Rega, Caminhos e Linhas de Água:

- Construtor: OIKOS, Construções, S.A.
- Ano de conclusão: 2007 (Recepção Provisória a 22/02/2007)

Área do regadio: 448,8 ha
N.º de Beneficiários: 400
Ocupação cultural: Pomares de Macieiras e Pereiras, batata, milho e hortícolas
Origem da água: Superficial
Área da bacia hidrográfica: 14,5 km2
Precipitação média anual: 890 mm
Escoamento em ano médio: 235 mm
Afluência média anual: 3.400 x 103 m3
Caudal de dimensionamento: 43,4 m3/s (curva de vazão)
Período de retorno: 1000 anos
Fornecimento de água às explorações: Baixa pressão e gravítico
Caudal máximo de rega: 0,6 m3/s
Gestão: Junta de Agricultores do Cerejo
Sistema tarifário: A implementar

3. Infra-estruturas existentes

Barragem:
- Tipo: Aterro homogéneo (zona central do aterro com materiais seleccionados)
- Altura máxima acima do nível da fundação: 25,5 m
- Altura acima do terreno natural: 23,3 m
- Cota do coroamento: 579,5 m
- Desenvolvimento do coroamento: 323,0 m
- Largura do coroamento: 7,0 m
- Fecho da Portela:
- Tipo: Aterro homogéneo
- Altura máxima: 4,5 m
- Desenvolvimento do coroamento: 266,0 m
- Cota do coroamento: 579,5 m
- Inclinação do paramento de montante: 2,8/1 (H/V)
- Inclinação do paramento de jusante: 2,0/1 (H/V)
- Volume do corpo da barragem: 0,220 x 106 m3
- Volume total da barragem: 0,258 x 106 m3

Albufeira:
- Área inundada (NPA): 68 ha
- Capacidade (NPA): 4,867 x 106 m3
- Capacidade útil: 4,684 x 106 m3
- Nível de Plena Armazenamento (NPA): 577,0 m
- Nível de Máxima Cheia (NMC): 578,0 m
- Nível mínimo de exploração (Nme): 561,0 m

Descarga de fundo e tomada de água:
- Localização: Central
- Tipo: Torre em betão de secção circular seguida de conduta em betão, com 1200 mm de diâmetro interno, fabricada in situ, envolvida em maciço de betão armado, sem colares corta-águas. O circuito da descarga de fundo é comum ao da tomada de água até à derivação para o sistema de rega (by-pass). Deste ponto para jusante, segue-se um troço convergente para o diâmetro de 350 mm, a que se segue um troço com o mesmo diâmetro, na extremidade do qual foi montada uma válvula de jacto oco DN 350/PN 6. A derivação para a rede de rega, inicia-se por uma junta de montagem e desmontagem, seguida de um tê, também metálico, onde tem inicio a derivação para a estação elevatória.
- Diâmetro interior da torre: 2,00 m
- Diâmetro da conduta: 1.200 mm (betão)
- Caudal de ponta de rega: 0,6 m3/s
- Caudal descarregado na válvula de jacto oco (NPA): 1,5 m3/s
- Controlo a montante: 3 válvulas planas (comportas corrediça)
- Controle a jusante da descarga de fundo: Válvula de jacto oco, DN 350 mm
- Diâmetro da derivação para a estação elevatória: 0,7 m
- Diâmetro da válvula de seccionamento: 0,5 m

Descarregador de cheias:
- Localização: Margem esquerda
- Posição: Frontal
- Tipo de soleira: Em labirinto
- Tipo de controlo: Sem controlo
- Tipo de descarregador: Canal de encosta
- Cota da crista da soleira: 578,0 m
- Desenvolvimento da crista: 30,0 m
- Caudal máximo descarregado: 43,4 m3/s
- Período de retorno: 1000 anos
- Canal de descarga em betão de secção rectangular gradualmente convergente
- Largura: De 10,05 a 2,7 m
- Comprimento: 140,0 m
- Declive: i1 = 0,035, i2 = 0,103 e i3 = 0,3297
- Dissipação de energia: Salto de esqui

Rede de rega:
- Área a regar: 448,8 ha
- Conduta Adutora:
- Material: FFD, k=9
- Diâmetro: DN 700
- Extensão: 24 m
- Estação Elevatória:
- Grupos Electrobomba:
- 2 de 175 kw (Caudal=0,30 m3/s, Altura Manométrica= 45 m.c.a)
- 1 de 2,5 kw (Caudal=15 m3/h, Altura Manométrica= 45 m.c.a.)
- Estação de Filtragem:
- Quantidade: 4
- Tipo: DN 350 mm para 1 MPa (limpeza automática em contra corrente)
- Conduta Elevatória:
- Material: FFD, k=9
- Diâmetro: DN 700 + DN 500
- Extensão: 22 m + 281 m
- Reservatório de Regularização:
- Material: Betão armado
- Volume útil: 243 m3

Rede:
- Material: Betão pré-esforçado com alma de aço (PN 0,8 e PN 0,6 Mpa)
- Extensão: 4,7 km
- Diâmetro: DN 700 e DN 600
- Material: PVC (PN 1,0 e 0,6 Mpa)
- Extensão: 21,4 km
- Diâmetro: DN 500 a DN 90
- Material: PEAD (PN 1,0 Mpa)
- Extensão: 17,9 km
- Diâmetro: DN 90 a DN 75

Rede Viária:
- Caminhos existentes melhorados: 11,8 km
- Caminho de acesso à margem esquerda: 1,4 km

Rede de Drenagem:
- Desmatação, limpeza, corte de vegetação arbustiva do leito, taludes e margens das linhas de água:
- Área intervencionada: 46.500 m2