desenvolvimento rural

Aproveitamentos hidroagrícolas

Alfaiates

Apresentação

O aproveitamento hidroagrícola de Alfaiates, localiza-se a cerca de 1 km a SW da Vila de Alfaiates, no vale da ribeira de Alfaiates, freguesia da Alfaiates, concelho do Sabugal, distrito da Guarda. Destina-se ao abastecimento de água necessária para satisfazer as necessidades de rega de uma área de 104,4 ha.

A ribeira de Alfaiates, ao longo do seu percurso une-se com a ribeira da Aldeia da Ponte, tomando a designação de ribeira de Vilar Maior. Por sua vez, este curso de água vai desaguar na margem direita do Rio Côa, cuja bacia hidrográfica se insere na bacia hidrográfica do Rio Douro.

O empreendimento é constituído por uma barragem de aterro, uma rede de rega, uma rede viária e uma rede de drenagem.

As águas armazenadas na albufeira e utilizadas na rega são unicamente provenientes das afluências próprias da respectiva bacia hidrográfica.

A construção do Aproveitamento Hidroagrícola de Alfaiates foi da responsabilidade da ex-Direcção Regional de Agricultura da Beira Interior, actualmente integrada na Direcção Regional de Agricultura e Pescas do Centro.

Caracterização edafo-climática

Solos

No local de implantação da barragem a rocha aflorante é um granito porfiróide de duas micas que se apresenta são a pouco alterado no leito da ribeira, e muito alterado a decomposto em alguns locais das margens.

Na área correspondente à albufeira, os afloramentos de granitos porfiróides de matriz grosseira a média apresentam-se geralmente pouco alterados a sãos no leito da ribeira, e progressivamente alterados a decompostos à medida que aumenta a distância ao leito.

Os solos incluídos no perímetro, abrangem os fundos do vale da Ribeira de Alfaiates e de algumas pequenas linhas de água secundárias e, em geral, as bases das encostas adjacentes. Situam-se na proximidade da Vila de Alfaiates, sendo a parte principal constituída pela baixa aluvionar da ribeira de Alfaiates, com ocupação agrícola muito intensiva e, naturalmente, dividida por grande número de pequenas parcelas.

A área localizada no vale da ribeira de Alfaiates apresenta formações aluvionares no fundo do vale principal, e coluviões nos fundos dos vales secundários e das encostas adjacentes.

Clima

O clima da região onde se insere o aproveitamento é resultado de factores gerais tais como a circulação atmosférica, e de factores regionais e locais, de que se salienta a sua posição geográfica no bordo ocidental da Meseta Ibérica, a leste da Cordilheira Central, o afastamento do Atlântico, e a forma e disposição dos principais conjuntos montanhosos do centro de Portugal.

A conjugação destes factores determina que a área abrangida pelo aproveitamento hidroagrícola apresente um clima de tipo continental, temperado, húmido e moderadamente chuvoso.

Os Invernos são muito frios, com a temperatura mínima média do mês mais frio a não exceder, em média, 1º C. Observam-se em mais de 40 dias, em média, temperaturas inferiores a 0º C.

No Verão, o clima é condicionado pela altitude e ainda pela continentalidade, observando-se na região o tipo moderado, registando-se em média, temperaturas máximas superiores a 25º C, com frequência anual inferior a 100 dias. A temperatura máxima média do mês mais quente não excede, em média, 29º C.

A radiação global anual média varia entre 150 e 155 kcal/cm2.

A precipitação média anual ronda os 830 mm. O período chuvoso estende-se de Outubro a Maio e representa cerca de 90% da precipitação anual. O período seco, ocorre de Junho a Setembro.

As trovoadas ocorrem anualmente, em média, em 12 dias, repartidas sobretudo pela Primavera e Verão, registando-se a maior frequência em Junho (2,5 dias).

A precipitação sobre a forma de neve ocorre em cerca de 13 dias repartida geralmente pelos meses mais frios (Dezembro a Março). Também se verificam algumas ocorrências de granizo e saraiva nos meses de final do Inverno e da Primavera, embora muito pouco frequentes.

A temperatura anual média do ar na região é de 10,7º C (Guarda). As temperaturas máximas absolutas ocorrem em Julho, atingindo 35,0º C. As temperaturas mínimas absolutas registam-se em Fevereiro (-12,3º C).

As temperaturas inferiores a 0º C, ocorrem, em média, anualmente, em 37 dias, repartidas sobretudo pelos meses de Inverno.

No Verão ocorrem com frequência, temperaturas superiores a 25º C, destacando-se o mês de Julho com 14 dias, em média, num total anual de 40 dias.

Nos meses mais frios, a acumulação do ar arrefecido durante a noite no fundo do vale da ribeira de Alfaiates, principalmente na área da albufeira, poderá determinar um decréscimo significativo das temperaturas mínimas durante a madrugada e manhã, que poderão descer frequentemente a valores negativos.

A área do aproveitamento não beneficia da situação de abrigo proporcionada pela Serra da Estrela, verificando-se, por vezes, um acréscimo na frequência e velocidade do vento, sobretudo do rumo NW. Com ventos do quadrante Sul, verifica-se uma redução significativa pela interposição da Serra da Malcata.

Nos dias calmos, em que a circulação geral não é predominante, podem ter significado os ventos de vale e de montanha.

Na área do aproveitamento, a acumulação de ar frio durante a noite, contribui para a ocorrência de teores de humidade do ar superiores a 86%. À tarde, devido à temperatura ligeiramente superior que se verifica no vale da ribeira de Alfaiates, a humidade relativa do ar poderá descer a valores inferiores aos verificados na região (64% às 15 horas e 75% às 21 horas).

Os nevoeiros são essencialmente de irradiação, prevendo-se que atinjam uma frequência anual média de 100 dias. O rápido arrefecimento que se verifica ao fim da tarde e a consequente chegada do ar frio proveniente da vertente norte da Serra da Malcata poderá determina a formação de nevoeiro, sobretudo nos meses de Outono, Inverno e Primavera.

A formação de neblinas durante a madrugada, pela acumulação de ar frio no vale da ribeira de Alfaiates, poderá provocar um maior número de dias nebulosos do que os verificados na região (128 dias).

O valor da insolação, que poderá ser considerado relativamente alto, varia entre as 2.700 e as 2.800 horas.

A evaporação é de 1.387 mm anualmente, em média, na Guarda, registando-se o máximo de 240,3 mm em Julho e o mínimo de 32,6 mm em Janeiro. Na área do empreendimento, devido ao pequeno acréscimo da temperatura e por se tratar de uma área mais exposta, admite-se que a evaporação seja ligeiramente superior à verificada na Guarda.

O orvalho verifica-se anualmente, em média em 43,5 dias, repartidos sobretudo pelos meses de Abril a Outubro. Nos meses mais frios, em que a temperatura desce abaixo de 0º C, forma-se geada, registando-se anualmente 42,5 dias, principalmente durante o Inverno.

A evapotranspiração potencial anual média é de 670 mm, verificando-se os valores mais elevados de Junho a Agosto. A evapotranspiração real, condicionada pela reserva útil de água no solo de Maio a Setembro, é de 457 mm, com o valor mensal médio mais elevado em Junho e mínimo em Janeiro.

O clima da região é pouco húmido com moderada deficiência de água no verão. Os valores médios da radiação e da insolação e os valores das principais variáveis climáticas são propícios ao bom desenvolvimento de culturas de Primavera/Verão. A deficiência de água no verão, embora moderada, confere uma importância significativa à rega como forma de satisfazer as necessidades hídricas deste tipo de culturas. São condições limitantes para este tipo de uso na área do aproveitamento, os riscos de geadas tardias, as condições de enraizamento, a capacidade de retenção e disponibilidade de nutrientes, o arejamento da zona radicular e o valor do investimento necessário para criar condições para realizar eficazmente a rega por gravidade.

Infra-estruturas colectivas

Faz parte do aproveitamento uma barragem constituída por um corpo principal com um desenvolvimento no coroamento de 206 m, e uma portela, de ligação ao descarregador de cheias, com 2 m de altura máxima e 340 m de desenvolvimento.

A bacia hidrográfica, na secção da barragem, tem cerca de 20 km2.

Na construção do corpo da barragem houve a preocupação de seleccionar para a zona central os materiais mais finos e sem elementos de grandes dimensões, resultando assim um perfil praticamente homogéneo.

A superfície inundada à cota 801,0 m é de 22 ha, corresponde à cota de pleno armazenamento (NPA) e permite armazenar 0,854 x 106 m3 de água. Á cota de 802,5 m, verifica-se o nível de máxima cheia (NMC), e a albufeira ocupa uma área de 25,3 ha.

Os órgãos anexos da barragem incluem um descarregador de cheias e uma descarga de fundo coincidente com o circuito hidráulico da tomada de água.

O acesso à barragem faz-se pela margem esquerda da ribeira por um caminho já existente, ou em alternativa pelos caminhos da rede de rega.

A água armazenada na albufeira é captada numa torre de captação de secção circular, com acesso através de passadiço. A entrada de água para o seu interior é feita através de duas aberturas com as dimensões de 0,50 x 0,50 e de 0,80 x 1,10 m. A obturação destas aberturas faz-se através de válvulas planas manobradas do topo da torre. Acopladas às válvulas existem grelhas metálicas de protecção.

A água captada é conduzida até à câmara de decantação através duma conduta em aço de 500 mm de diâmetro, executada após conclusão da barragem.

A zona de rega pode ser divida em dois blocos. Um localizado logo a jusante do local da barragem, com uma área aproximada de 20 ha, e outro, com cerca de 80 ha, que se desenvolve ao longo da ribeira de Alfaiates.

A rede de rega, com uma extensão de 7.148 metros, conduz a água entre uma câmara de decantação e o perímetro a beneficiar com uma área de 104,4 ha. Esta rede permite efectuar a rega por mini-aspersão, em baixas pressões, para além dos processos tradicionais de rega por superfície, principalmente a rega por sulcos.

É uma rede ramificada onde não foi instalado qualquer dispositivo para protecção das condutas contra o golpe de aríete, atendendo a que as velocidades médias de escoamento são relativamente reduzidas na maior parte dos troços, e, porque a probabilidade de fecho simultâneo de todas as tomadas é muito reduzida. Considerou-se que a elasticidade da tubagem é suficiente para suportar os regimes transitórios que possam ocorrer.

A rede de rega é constituída por um conjunto de condutas em PVC que admitem uma pressão de serviço de 6 kg/cm2, com diâmetros a variar entre 400 e 125 mm.

Os ramais das tomadas e ventosas são em aço galvanizado, com protecção anti-corrosiva suplementar através de pintura com base em resinas epoxy.

Os maciços de amarração são em betão B15 e as protecções das condutas nos atravessamentos de caminhos e linhas de água são em betão B25. Os maciços foram executados em escavação, isto é, não foram permitidos aterros entre a superfície de encosto dos maciços e os taludes da vala para instalação das tubagens.

A rede viária, para além dos caminhos já existentes, é constituída por dois caminho. Um que se desenvolve de NE para S até ao encontro da ribeira de Alfaiates. O outro, com origem no troço final do caminho anteriormente referido, dirige-se à ribeira de Alfaiates, seguindo na direcção O e inflectindo para SE, atravessa um afluente da margem direita da ribeira de Alfaiates até ao cruzamento com um caminho já existente na zona S do aproveitamento, onde termina.

Para garantir a drenagem de toda a área do aproveitamento e atendendo às características dos solos, textura franca com boa drenagem interna, considerou-se ser apenas necessário proceder à limpeza e desassoreamento da Ribeira de Alfaiates e ao seu afluente da margem direita.

Procedeu-se à desmatação da vegetação que se encontrava em excesso nos taludes das ribeiras e foram retirados os sedimentos depositados no leito. No total, procedeu-se à limpeza de 4.050 m de leitos de ribeira.

Gestão e exploração

A DRAPC e a Junta de Agricultores de Alfaiates são as entidades responsáveis pela gestão e exploração do aproveitamento.

1. Localização

DRAP Centro
Distrito: Guarda
Concelho: Sabugal
Freguesia: Alfaiates
Região Hidrográfica: RH 3
Bacia Hidrográfica: Douro
Sub-bacia: Rio Côa
Linha de Água: Ribeira de Alfaiates
Carta Militar: 216
Latitude: 40º 23’ 04,76’’ N
Longitude: 6º 55’ 27,30’’ O

2. Dados Gerais

Promotor: Direcção Regional de Agricultura da Beira Interior
Projectista: Hidrotécnica Portuguesa
Construtor: Agrupamento Sabugal
Ano de Projecto: 1993
Objectivo: Rega
Ano de conclusão: 2000 (Recepção Provisória a 17/02/2000)
Área do regadio: 100 ha
N.º de Beneficiários: 60
Ocupação cultural: Batata, milho e feijão
Origem da água: Superficial
Área da bacia hidrográfica: 20 km2
Precipitação ponderada na bacia (média): 1292 mm
Escoamento na bacia hidrográfica da ribeira de Alfaiates (média): 620,3 mm
Afluências na bacia hidrográfica da ribeira de Alfaiates (média): 12.405,6 x 103 m3
Caudal de dimensionamento: 96 m3/s
Período de retorno: 1000 anos
Fornecimento de água às explorações: Gravítico (baixa pressão)
Caudal máximo de rega: 180 l/s
Gestão: Junta de Agricultores de Alfaiates
Sistema tarifário: A implementar

3. Infra-estruturas existentes

Barragem:
- Tipo: Aterro com secção trapezoidal e perfil zonado
- Altura máxima acima do nível da fundação: 18,5 m
- Altura acima do terreno natural: 16 m
- Cota do coroamento: 804 m
- Desenvolvimento do coroamento: 206 m
- Largura do coroamento: 6 m
- Fecho da portela:
- Tipo: Aterro homogéneo
- Altura máxima: 2 m
- Desenvolvimento do coroamento: 342 m
- Cota do coroamento: 804 m
- Inclinação do paramento de montante: 2,8/1 (H/V)
- Inclinação do paramento de jusante: 2,5/1 (H/V)
- Volume do corpo da barragem: 0,086 x 106 m3

Albufeira:
- Área inundada (NPA): 22 ha
- Área inundada (NMC): 25,3 ha
- Capacidade (NPA): 0,854 x 106 m3
- Capacidade útil: 0,650 x 106 m3
- Nível de Plena Armazenamento (NPA): 801 m
- Nível de Máxima Cheia (NMC): 802,50 m
- Nível mínimo de exploração (Nme): 795,50 m

Descarga de fundo e tomada de água:
- Localização: Central na zona do antigo leito da ribeira
- Tipo: Torre em betão de secção circular seguida de conduta sob o terreno, aproveitando a conduta que serviu de desvio provisório. O circuito da descarga de fundo é comum ao da tomada de água até à derivação para o sistema de rega (by-pass). Deste ponto para jusante, a conduta da descarga de fundo prolonga-se por um convergente até atingir o diâmetro de 350 mm, a que se segue uma curva em perfil. Na extremidade da curva localiza-se um pequeno trecho recto que antecede a válvula de regulação com o mesmo diâmetro, válvula de jacto oco. A derivação para a rede de rega, em aço com 500 mm de diâmetro, termina numa câmara de decantação;
- Diâmetro interior da torre: 2,00 m
- Diâmetro da conduta: 500 mm (aço)
- Caudal de dimensionamento da tomada de água: 0,18 m3/s
- Caudal descarregado na válvula de jacto oco (NPA): 1,2 m3/s
- Controlo a montante: 2 válvulas planas (comportas corrediça)
- Controle a jusante: Válvula de jacto oco, diâmetro 350 mm

Descarregador de cheias:
- Localização: Margem direita
- Tipo de soleira: Em labirinto
- Tipo de controlo: Sem controlo
- Tipo de descarregador: Canal de encosta
- Cota da crista da soleira: 801,00 m
- Desenvolvimento da crista: 38,02 m
- Caudal de dimensionamento: 96 m3/s
- Período de retorno: 1000 anos
- Canal de descarga em betão com secção rectangular ligeiramente convergente
- Largura: 7,50 m (reduzindo para jusante)
- Comprimento: 91,61 m
- Declive: De 0,06 % a 0,23 %
- Dissipação de energia: Salto de esqui

Rede de rega:
- Área a regar: 104,4 ha
- Material: PVC
- Pressão de serviço: 6 kg/cm2
- Extensão: 7.148 m
- Diâmetro: Varia de 400 a 125 mm

Rede Viária:
- Caminhos existentes melhorados: 4.430 m
- Perfil transversal: 4 m

Rede de Drenagem:
- Limpeza e desassoreamento de duas ribeiras:
- Comprimento total: 4.050 m
- Largura média: 8 m

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