desenvolvimento rural

Aproveitamentos hidroagrícolas

Vermiosa

Apresentação

O aproveitamento hidroagrícola da Vermiosa desenvolve-se ao longo da ribeira da Devesa, situa-se na freguesia da Vermiosa, concelho de Figueira de Castelo Rodrigo, distrito da Guarda.

A ribeira da Devesa é um afluente da margem esquerda da Ribeira de Aguiar, cuja bacia hidrográfica se insere na bacia hidrográfica do Rio Douro.

Integram o aproveitamento, uma barragem em aterro construída na ribeira da Devesa, que tem como finalidade fornecer água ao perímetro de rega com 131 ha, constituído por um sistema de rega sob pressão e um sistema de drenagem.

As águas utilizadas na rega são unicamente provenientes das afluências próprias da respectiva bacia hidrográfica.

A construção do Aproveitamento Hidroagrícola da Vermiosa foi da responsabilidade da ex-Direcção Regional de Agricultura da Beira Interior, actualmente integrada na Direcção Regional de Agricultura e Pescas do Centro.

Caracterização edafo-climática

Solos e aptidão ao regadio

Os solos são de textura mediana a grosseira. Na zona mais plana, junto à ribeira, os solos têm profundidade superior a 1 m e a sua textura é franco-arenosa. Nas restantes unidades fisiográficas identificadas verificou-se uma textura franca.

Os solos integrados no perímetro não possuirão, em princípio, profundidade inferior a 0,60 m. Solos com profundidades inferiores a 0,30 m e inclinações superiores a 12 % foram excluídos.

As capacidades de campo determinadas oscilam entre 13,1 e 21,1 % (percentagem em volume), o que demonstra uma variabilidade muito importante. Estes valores correspondem a 57 e 106 mm de capacidade de retenção de água nos 40 cm superficiais. Atendendo ao tipo de rega previsto, rega por aspersão, mesmo os valores mais próximos do limite inferior são aceitáveis.

A porosidade drenável determinada em algumas situações, não pareceu muito satisfatória, provavelmente devido à excessiva compactação.

Em relação às características químicas dos solos integrados no perímetro, verificou-se:

  • o pH dos solos é bastante variável, situando-se predominantemente na zona de acidez ligeira;
  • a salinidade é inexistente;
  • o teor de matéria orgânica é geralmente baixo, apresentando pontualmente valores ligeiramente mais elevados. Correspondem às zonas mais planas junto à ribeira em que se pratica horticultura e em que há maior aplicação de estrumes.

Concluindo, os solos apresentam uma razoável aptidão para o regadio, devendo ter em atenção aspectos como a compactação, a acidez e a natureza fisiográfica. Esta última característica, não sendo considerada ao longo do tempo, poderá favorecer consideravelmente a erosão hídrica dos solos.

Clima

A amplitude térmica anual média é de 11,9 ºC, reflectindo uma forte influência continental. As médias máximas mensais foram registadas durante o mês de Julho e Agosto, com valores de 29,5 e 29ºC. A temperatura mínima mensal registada foi de 0,6 e 1ºC, durante os meses de Dezembro e Janeiro.

A humidade relativa do ar associado à temperatura, à insolação e à velocidade do vento, condiciona a evaporação, influindo igualmente, entre outros aspectos, sobre a ocupação agrícola, uma vez que é um factor de desenvolvimento de pragas e doenças das plantas, e sobre o conforto humano. A variação diária da humidade, atinge valores mais elevados às primeiras horas da manhã, diminuindo ao longo do dia. A temperatura apresenta uma variação inversa à da humidade, apresentando os valores máximos ao fim do dia.

O valor máximo de insolação observa-se nos meses de Julho e Agosto, e o mínimo durante os meses de Janeiro e Dezembro. Na área do perímetro verifica-se uma média anual de cerca de 2530 horas.

Janeiro e Dezembro são os meses em que ocorre maior nebulosidade, cerca de 15 dias. Os valores mínimos de nebulosidade ocorrem em Julho e Agosto, apresentando em média 21 dias de céu descoberto.

A precipitação média anual é de cerca de 600 mm, com valores médios mais elevados nos meses de Janeiro e Fevereiro, e valores mínimos de precipitação nos meses de Julho e Agosto.

A evaporação média anual ronda os 1440 mm, com os valores máximos a serem atingidos nos meses de Julho e Agosto, e os mínimos em Dezembro.

Na área do regadio, a evapotranspiração potencial, que corresponde à quantidade de água necessária para o bom desenvolvimento das plantas no solo, apresenta um valor de 705 mm. A evapotranspiração real, que mede a transferência de água por evaporação e por perda de água para a atmosfera como resultado da transpiração das plantas que existem na superfície, por unidade de área, atinge um valor de 467 mm.

A velocidade média máxima do vento é atingida durante o mês de Março, (17,3 km/h), predominantemente do quadrante sul.

A geada, em média, verifica-se em 60 dias por ano, ocorre entre os meses de Setembro e Maio, com maior incidência nos meses de Novembro e Fevereiro.

O número médio anual de dias de nevoeiro é de 20, ocorrendo especialmente em Dezembro e Janeiro.

Em média, observam-se 2,7 dias por ano com neve, enquanto que os dias com granizo e saraiva não têm significado.

Em termos climatológicos, a zona apresenta valores de precipitação média anual baixos (cerca de 600 mm), enquanto a amplitude térmica anual média é de cerca de 12ºC, reflectindo uma forte influência continental.
Conforme já foi referido, os meses de maior pluviosidade são Janeiro e Fevereiro, predominam ventos soprando de Nordeste e Sudoeste, e ocorrência de geada entre Setembro e Maio.

A conjugação d os factores anteriormente referidos, determina que a área abrangida pelo aproveitamento hidroagrícola apresente um clima de tipo continental, temperado, húmido e moderadamente chuvoso.

Infra-estruturas colectivas

Conforme já foi referido, fazem parte do aproveitamento uma barragem de terra, com uma altura de 18 metros e um desenvolvimento ao nível do coroamento de 288 m. A sua dimensão foi determinada tendo em atenção as necessidades hídricas previstas para as culturas a praticar e de forma a garantir o armazenamento de um volume de água com o qual seja possível regar 131 hectares, sem restrições, em ano seco com 70 % de probabilidade de não ser ultrapassado. A bacia hidrográfica, na secção da barragem, tem cerca de 10,9 km2.

Na construção do corpo da barragem houve necessidade de recorrer a exploração de terras, tendo sido utilizados materiais provenientes de zonas de empréstimo previamente seleccionadas, localizadas a noroeste e sudeste da barragem.

A barragem tem uma albufeira, que ao nível de pleno armazenamento, inunda uma área de cerca de 48,9 hectares, com uma altura média de água de 4,6 metros e uma capacidade de armazenamento de 2,25 milhões de metros cúbicos.

Os órgãos anexos da barragem incluem um descarregador de cheias e uma descarga de fundo, que coincide com o circuito hidráulico da tomada de água.

Um dos acessos à barragem faz-se pela margem direita da ribeira por caminhos já existentes. Em alternativa, também se pode aceder à barragem pelos caminhos existentes na rede de rega.

Os caminhos do perímetro de rega são essencialmente caminhos já existentes melhorados. Os caminhos adaptados têm uma extensão de 1990 metros, e os caminhos novos construídos têm 990 metros, perfazendo um total de 2980 metros.

A água armazenada na albufeira é captada e encaminhada para a rede de rega, basicamente constituída por três componentes: rede primária, estação elevatória e rede secundária.

A rede primária, com uma extensão de 1231 metros, conduz a água entre a barragem e a estação elevatória, utilizando uma conduta enterrada em PEAD e com 560 mm de diâmetro, dimensionada para transportar até 350 l/s.
A estação elevatória, localizada na zona central do perímetro, é constituída genericamente, por um edifício principal com dois pisos, e dois anexos. No piso inferior foi colocado o equipamento de bombagem e no superior funciona a área de comando e controlo da estação. A estação é constituída por dois conjuntos de bombagem diferentes, conectados cada um com um patamar de bombagem. A adução aos dois conjuntos de bombagem é em comum, sendo no resto independentes.
A segurança em relação ao golpe de aríete da estação elevatória e das redes primária e secundária, foi resolvida com a colocação de quatro reservatórios de ar comprimido, um a montante e três a jusante.

A rede secundária é constituída por um conjunto de condutas, tomadas de água e outros equipamentos localizados a jusante da estação elevatória, sem incluir a rede de rega na parcela. Atendendo à diferença de cotas extremas existentes no perímetro, a rede secundária foi subdividida em duas, dando origem a dois patamares, designados de Patamar A e Patamar B. A cada um deles corresponde uma altura de elevação, e por arrastamento, à respectiva sub-rede secundária, garantindo uma carga hidráulica mínima nas tomadas de água de 3 kgf/cm2.

A rede secundária é composta por um conjunto de 43 tomadas de água, sendo 19 localizadas no patamar A e 24 no patamar B, estão ligadas através de uma rede de condutas com uma extensão total de 6.412 m, com diâmetros a variar entre 200 e 500 mm.

Conforme já foi referido, a rede viária principal é constituída pelo caminho de acesso à barragem e pelos caminhos do perímetro de rega. O caminho de acesso à barragem, seguindo pelo perímetro, desenvolve-se ao longo da conduta adutora, bifurcando-se na extremidade próxima da barragem, para dar acesso ao coroamento desta e à câmara de válvulas onde se localiza a tomada de água para rega. Os caminhos do perímetro de rega, basicamente, são caminhos já existentes que foram melhorados.

A rede de drenagem, é constituída na sua maior parte, pela rede natural das linhas de água existentes que foram rectificadas. Pontualmente, a rede foi melhorada com a construção de um de dois tipos de valas, uma de secção triangular bastante larga com taludes pouco inclinados, e outra, trapezoidal bastante mais estreita, com taludes mais inclinados. A primeira foi construída numa extensão de 960 m, e a segunda em 1535 m.

Gestão e exploração

A DRAPC e a Junta de Agricultores da Vermiosa são as entidades responsáveis pela gestão e exploração do aproveitamento. Apesar das dificuldades que têm existido desde a sua construção, hoje, devido ao facto de se terem verificado actos de vandalismo na estação elevatória (roubo de todos os componentes em cobre), não é possível a mesma entrar em funcionamento, sem que sofra reparações estimadas em mais de 100.000 €.

Estudos

Na sequência do Concurso Público n.º 1/2006 foi executado o projecto de “Ampliação e Reabilitação do Aproveitamento Hidroagrícola da Vermiosa”, que consiste no aumento da área da rede de rega para mais 121 hectares, na consequente remodelação do edifício da estação elevatória e na instalação de equipamento de bombagem e filtragem. Pretende-se com esta intervenção, que o perímetro de rega da Vermiosa passe a ser constituído por dois blocos de rega de diferentes cotas altimétricas, pressurizados através duma estação elevatória com dois patamares de elevação, alimentada por uma conduta adutora a partir da albufeira da barragem da Vermiosa. O bloco de cotas mais baixas, com 131 hectares, corresponde ao actual bloco de rega, que passará a ter um único escalão de bombagem. A restante área a equipar, dará origem ao novo bloco, com 121 hectares.

1. Localização

DRAP Centro
Distrito: Guarda
Concelho: Figueira de Castelo Rodrigo
Freguesia: Vermiosa
Região Hidrográfica: RH 3
Bacia Hidrográfica: Douro
Sub-bacia: Ribeira de Aguiar
Linha de Água: Ribeira da Devesa
Carta Militar: 172
Latitude: 40º 48’ 16,52’’ N
Longitude: 6º 53’ 27,57’’ O

2. Dados Gerais

Promotor: Direcção Regional de Agricultura da Beira Interior
Projectista: Hidrotécnica Portuguesa
Construtor: Agrupamento Sabugal
Ano de Projecto: 1993
Objectivo: Rega
Ano de conclusão: 2000 (Recepção Provisória a 7/06/2000)
Área do regadio: 131 ha
N.º de Beneficiários: 162
Ocupação cultural: Vinha, forragens e hortícolas (batata, couves, nabos, etc.)
Origem da água: Superficial
Área da bacia hidrográfica: 10,9 km2
Precipitação média anual: 542,7 mm
Caudal integral médio anual: 997 x 103 m3
Caudal de cheia: 74 m3/s
Período de retorno: 1000 anos
Fornecimento de água às explorações: Baixa pressão e gravítica
Gestão: DRAPC e Junta de Agricultores
Sistema tarifário: A implementar

3. Infra-estruturas existentes

Barragem:
- Tipo: Aterro com núcleo central argiloso
- Altura máxima acima do nível da fundação: 18 m
- Altura acima do terreno natural: 15,5 m
- Cota do coroamento: 688 m
- Comprimento do coroamento: 288 m
- Largura do coroamento: 6 m
- Inclinação do paramento de montante: 3/1 (H/V)
- Inclinação do paramento de jusante: 2,5/1 (H/V)
- Volume do corpo da barragem: 0,095 x 106 m3

Albufeira:
- Área inundada: 48,9 ha
- Capacidade total: 2,25 x 106 m3
- Capacidade útil: 2,20 x 106 m3
- Volume morto: 0,05 x 106 m3
- Nível de Plena Armazenamento (NPA): 684,80 m
- Nível de Máxima Cheia (NMC): 686,30 m
- Nível mínimo de exploração (Nme): 674,20 m

Descarga de fundo:
- Tipo: Em conduta sob o terreno
- Diâmetro da conduta: 800 mm
- Caudal máximo: 1,74 m3/s
- Controlo a montante: Comporta corrediça
- Controle a jusante: Válvula
- Dissipação de energia: Impacto

Descarregador de cheias:
- Localização: Margem esquerda
- Tipo de soleira: Em labirinto
- Tipo de controlo: Sem controlo
- Tipo de descarregador: Canal de encosta
- Cota da crista da soleira: 684,80 m
- Desenvolvimento da soleira: 20,35 m
- Caudal máximo descarregado: 90 m3/s
- Período de retorno: 5000 anos
- Caudal de ponta de cheia: 130 m3/s
- Canal de descarga em betão com secção rectangular
- Largura: 4 m
- Comprimento: 122,30 m
- Declive: 8,14 %
- Dissipação de energia: Ressalto (Tipo III do Bureau of Reclamation)

Rede de rega:
- Área a regar: 131 ha
- Rede primária:
- Material: PEAD - PN8
- Extensão: 1231 m
- Diâmetro: 560 mm
- Caudal: 350 l/s
- Estação Elevatória
- Grupos electrobomba Patamar A:
- 2 de 44kw e um caudal de 58 l/s
- 2 de 22 kw e um caudal de 29 l/s
- Caudal máximo: 145 l/s
- Cota piezométrica à saída da EE: 714,50 m
- Altura manométrica máxima: 54 m
- Altura manométrica mínima: 43 m
- Área: 56 ha
- Grupos electrobomba Patamar B:
- 2 de 73 kw e um caudal de 76 l/s
- 2 de 37 kw e um caudal de 38 l/s
- Caudal máximo: 190 l/s
- Cota piezométrica à saída da EE: 729,50 m
- Altura manométrica máxima: 68 m
- Altura manométrica mínima: 57 m
- Área: 75 ha
- Rede Secundária
- Número de Patamares: 2 (A e B)
- Área: 131 ha (56 + 75)
- Distribuição: A pedido
- Pressão mínima garantida: 3 kgf/cm2
- Extensão das condutas: 6412 m
- Diâmetro interno: de 81,4 a 452,2 mm
- Material: PVC
- Válvulas de seccionamento: 2 por Patamar
- Tomadas de água Patamar A: 19
- Tomadas de água Patamar B: 24
- Ventosas triplo efeito: 7
- Descargas de fundo Patamar A: 1
- Descargas de fundo Patamar B: 2

Rede Viária:
- Caminhos existentes melhorados: 1990 m
- Caminhos novos: 990 m

Rede de Drenagem:
- Limpeza e reperfilamento das Linhas de Água existentes:
- Valas secção triangular: 960 m
- Valas secção trapezoidal: 1535 m

Observação:
A Estação Elevatória encontra-se inoperacional devido a actos de vandalismo. Actualmente, a distribuição de água no perímetro está a ser realizada graviticamente.

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