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centro de estudos vitivinícolas do dão

1 - História

Centro de estudos vitivinícolas do Dão

O Centro de Estudos Vitivinícolas do Dão, fundado em 21 de Novembro de 1946, está localizado no prédio denominado Quinta da Cale, freguesia de Nelas e possui a área total de 10,985 ha. Em 1947, foram equacionados os "principais problemas a estudar no Centro, que se resumiam a:

  • Adaptação e afinidade de novas variedades de porta-enxertos;
  • Comportamento e adaptação das castas tradicionais e basicamente usadas pelos viticultores da Região;
  • Estudos ampelográficos de cada um dos complexos cavalo-garfo, tendentes a fornecer elementos para um melhor conhecimento das respectivas variedades;
  • Estudos enológicos dos mostos e vinhos produzidos, quer elementares, quer cotados em percentagens variadas, tendo sempre em vista a obtenção do melhor tipo, consagrado vinho do Dão;
  • Instalação dum campo de pés-mães de porta-enxertos e de talhões de enraizamento, para fornecimento das variedades mais indicados para a Região, em idênticas condições de solo e clima;
  • Estudo botânico das castas existentes na Região do Dão, iniciando a instalação duma colecção de todas as existentes".
Centro de estudos vitivinícolas do Dão

Estes ensaios ficaram a cargo da Estação Agrária de Viseu, que efectuava as respectivas vinificações na sua adega, em Viseu. Esta situação manteve-se até 1 de Dezembro de 1958, altura em que lhe foi concedida autonomia administrativa.

Em Janeiro de 1978, efectuou-se o apetrechamento técnico-científico do Centro, ficando a partir dessa altura, integrado na Direcção Regional de Agricultura da Beira Litoral.

Entretanto, em Maio de 1980, o Centro passa para a dependência do Instituto Nacional de Investigação Agrária (I.N.I.A.), passando, em 1981, a ser incorporado na Estação Vitivinícola Nacional.

Em 6 de Junho de 1990, pelo Dec. Lei n.º 184/90, o Centro de Estudos Vitivinícolas do Dão é novamente transferido para a Direcção Regional de Agricultura da Beira Litoral, sendo-lhe conferido a categoria de Divisão, e integrada na Direcção de Serviços de Vitivinicultura. 

Centro de estudos vitivinícolas do Dão

Convém aqui referir que, a partir dessa altura, o Sector do Condicionamento da Cultura e Plantio da Vinha, até então sediado na Estação Agrária de Viseu, é também transferido para o Centro, o que vem trazer novas responsabilidades acrescidas. 

Na mesma altura, com os programas comunitários de apoio à reestruturação da vinha (Reg. CEE n.º 2239, Programa Operacional - Reestruturação da Vinha e PAMAF - Melhoria das Estruturas Vitivinícolas), mais volume de trabalho caiu sobre o Centro, embora se considere que tais medidas foram as mais acertadas, tendo em conta as especificidades técnicas que o mesmo possui, para levar a bom termo tais desafios. Nesse aspecto, a Vitivinicultura do Dão saiu beneficiada.

Centro de estudos vitivinícolas do Dão

Com a publicação de uma nova Lei Orgânica, em 2 de Abril de 1993, (Dec. Lei n.º 96/93), o Centro, ainda com a categoria de Divisão, é integrado na nova Direcção de Serviços de Experimentação então criada, com funções em tudo semelhantes às anteriormente definidas - Experimentação, Divulgação e Apoio Técnico aos Vitivinicultores.

Entretanto, em 1997, surge nova lei Orgânica em 6 de Maio desse mesmo ano (despacho regulamentar nº 15/97), que extingue a Divisão anteriormente existente, ficando agora apenas a ser mais uma unidade orgânica Divisão de Vitivinicultura, que é integrada na Direcção de serviços de Agricultura, da DRABL. Para assumir a sua gestão, foi nomeado um coordenador através do Sr. Director Regional de Agricultura da Beira Litoral (despacho 15/97).

Desde 2007, com a fusão da ex-DRABL e a ex-DRABI na nova Direcção Regional de Agricultura e Pescas do Centro (DRAP Centro), e com a sua nova lei orgânica, o Centro de Estudos Vitivinícolas do Dão encontra-se integrado da Divisão de Apoio à Agricultura e Pescas da Direcção de Serviços de Desenvolvimento Agro-Alimentar, Rural e Licenciamento.

2 - Áreas de Trabalho

2.1 – Experimentação

  • Reconhecimento, Caracterização e Conservação de Recursos Genéticos
  • Selecção da Videira
  • Condução da Vinha
  • Intervenções em Verde
  • Rega da Vinha
  • Porta-Enxertos
  • Formas de Condução
  • Protecção da Vinha - Cigarrinha Verde
  • Previsão antecipada da Produção
  • Tecnologias de Fabrico/Conservação de Vinho

2.2 – Apoio à Vitivinicultura

  • Acções de Divulgação, Demonstração e Formação
  • Distribuição de Material Vegetal
  • Análises Laboratoriais
  • Apoio Técnico

2.3 - Ordenamento e Controlo Vitícola

  • Aplicação Regional da OCM, no que respeita ao Potencial de Produção

2.4 - Reestruturação da Vinha

  • Emissão de pareceres técnicos para projectos AGRO (VITIS)

3 - Principais áreas de trabalho

3.1 - Reconhecimento, Caracterização e Conservação de Recursos Genéticos de Vitis

A Região do Dão apresenta um vasto património vitícola e esta linha de trabalho, iniciada em 1958, tem tido como objectivo identificar e caracterizar culturalmente as diferentes castas e posteriormente conservá-las em colecção.

Muitos dos resultados obtidos têm sido publicados e são utilizados essencialmente no apoio á reconversão vitícola da região.

Centro de estudos vitivinícolas do Dão

No Centro existe uma área aproximada de 0,4 ha, onde se encontra instalada a colecção ampelográfica regional.

3.2 - Selecção da Videira

O Centro integrou a Rede Nacional de selecção da Videira em 1983, altura a partir da qual ficaram á sua responsabilidade todos os ensaios a decorrer na Região do Dão.

O principal objectivo deste trabalho, é colocar á disposição da viticultura material vegetal das castas regionais com um potencial produtivo e qualitativo superior e em bom estado sanitário.

Existem na região, em vinhas de viticultores, campos de selecção de 7 castas (5 tintas e 2 brancas) e anualmente procede-se á distribuição á lavoura de cerca de 900 000 garfos de material proveniente de selecção.

3.3 - Sistemas de Condução da Vinha

Esta linha de trabalho engloba um conjunto de vários ensaios e é uma das principais a decorrer no Centro, pois em nosso entender é nesta área que a viticultura regional apresenta o maior número de problemas.

Os primeiros ensaios iniciaram-se em 1958, mas foi a partir de 1989 que eles começaram a ter maior importância. Todos se têm desenvolvido nos diferentes campos experimentais do Centro e têm sido em grande parte apoiados financeiramente por projectos de experimentação.

Podem-se destacar como principais os que se referem a sistemas de poda, carga á poda, formas de condução, porta-enxertos e intervenções em verde.

3.4 - Protecção da Vinha

Embora esta não seja uma área para a qual o Centro se encontre vocacionado, uma vez que não tem pessoal suficiente, iniciou no entanto, em 1996 um trabalho que visa conhecer a influência da casta e das formas de condução no desenvolvimento da praga cigarrinha verde, que a partir de 1994 começou a criar problemas na região do Dão.

3.5 - Rega da Vinha

O Dão é uma região em que fortes problemas de stress hídrico condicionam muitas vezes a qualidade do produto final.

O estudo das estratégias de rega é no Centro considerado como uma linha de trabalho extremamente importante e prioritária, mas que devido á falta de condições materiais tem apenas sido aflorada. Pensamos que em 2003, ela se possa iniciar de uma forma mais concreta.

3.6 - Previsão de Colheita

A Região do Dão apresenta como uma das suas principais características a forte influência das condições atmosféricas, principalmente na fase de floração, no quantitativo da produção. Este facto leva a grandes oscilações anuais de produção na região. O conhecimento antecipado desse parâmetro, logo após a floração, permite uma melhor organização do sector.

O trabalho de previsão de colheita foi iniciado na região em 1990 e apoia-se no conhecimento do teor de pólen na atmosfera e nas condições climáticas durante a floração.

4 - Recursos Humanos

  • 3 Técnicos Superiores
  • 5 Técnicos
  • 1 Técnico-Profissional
  • 1 Assistente Administrativo
  • 2 Auxiliares Técnicos de Laboratório
  • 1 Telefonista
  • 1 Tractorista
  • 2 Auxiliares Agrícolas

5 - Exploração

5.1 Produção

  • Área de castas brancas: 1,8 ha (22%)
  • Área de castas tintas: 6,48 ha (78%)

5.2 Distribuição Parcelar

Folha I

Área: 2,3 ha
Ano de plantação: 1999
Talhão A - casta Touriga Nacional
Talhão B - casta Alfrocheiro Preto
Talhão C - castas Touriga Nacional, Jaen, Tinta Roriz e Tinto Cão
Talhão D - casta Alvarelhão
Talhão E - em pousio

Folha II

Área: 0,94 ha
Ano de plantação: 1992
Talhão A - Tinta Roriz
Talhão B - Touriga Nacional e Jaen

Folha III

Área: 1,73 ha
Ano de arranque: 2000

Folha IV

Área: 1,8 ha
Ano de plantação: 1994
Castas: Encruzado, Malvasia Fina, Verdelho, Cerceal, Barcelo e Uva Cão

Folha V

Área: 1,44 ha
Ano de plantação: 1999
Castas: Jaen, Alfrocheiro Preto, Touriga Nacional e Trincadeira

Folha VI

Área: 0,36 ha
Ano de plantação: 1990
Colecção Ampelográfica Regional

Folha VII

Área: 0,06 ha
Em pousio

Folha VIII

Área: 0, 1 5 ha
Em pousio

Contacto

Quinta da Cale 3520 NELAS
Tel.: 232 941 370
Fax: 232 949 731
E-mail: cevdao@drapc.gov.pt